As províncias de Cabinda, Zaire, Uige, Kwanza-Norte e Sul, Lunda Norte e Sul e Huambo, bem como as localidades de Culamagia e Tochongolola são, segundo explicou, as zonas prioritárias do programa para o alargamento das suas áreas de conservação.
“A responsabilidade de Angola na preservação e conservação da biodiversidade consiste na criação de mecanismos susceptíveis de proteger as espécies e o seu habitat, bem como na promoção do uso sustentável dos recursos biológicos do nosso país”. Mas não basta multiplicar as áreas de conservação, é necessário que se criem mecanismos sustentáveis da sua gestão”, referiu.
A ministra, que considerou preponderante o papel dos parques nacionais, disse que as ambições no sector do ambiente devem alargar-se e que ao investimento público se deve acrescentar o investimento privado, sublinhando que o êxito dessa política, assente numa pareceria com recíprocas vantagens entre Estado e investidores, é inquestionável. Os parques nacionais, enquanto áreas de conservação, têm como objectivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cénica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de actividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contacto com a natureza e de turismo ecológico.
“Numa situação em que novos ventos da história de Angola exigem que sejamos capazes de gerir melhor os recursos disponíveis, a desconcentração e descentralização constituirão um factor decisivo para atingir melhores e mais eficientes níveis de satisfação das necessidades colectivas”, disse a ministra do Ambiente.
A riqueza da biodiversidade de Angola é uma consequência da sua diversidade de Biomas, da sua posição geográfica e da variedade do seu clima. A nova classificação mundial de macro-ecossistemas indica a existência em Angola de 14 eco-regiões, mais do que a República D.C que possui mais de metade da floresta húmida africana.
No que toca à educação ambiental, Guilhermina Prata assegurou que serão criadas condições para que a população conheça a biodiversidade do país para melhor a proteger. “Este é o momento de tornar mais eficaz e coerente o planeamento e a gestão dos parques nacionais, situando-os numa perspectiva global que tem de ter sempre presente as questões da energia, dos recursos hídricos, a biodiversidade, a economia e a qualidade de vida das populações”, disse a ministra.
Ministra considera escassos dados sobre a biodiversidade
O conjunto das fontes de informação científica é unânime em reconhecer que os dados sobre a biodiversidade angolana e sua evolução são escassos. “Os parques nacionais serão os centros de excelência para a investigação científica nos domínios da ecologia, biologia e outras ciências da vida”, afirmou. O director nacional da biodiversidade, Soki Kuedikuenda, que falou sobre a “A conservação da natureza na perspectiva de desenvolvimento sustentável”, salientou que o uso racional ou sustentável de recursos surge pelo facto de a humanidade ter descoberto que os recursos naturais na sua disposição são limitados, mesmo os que geralmente são chamados de renováveis. “O desenvolvimento sustentável é um problema de civilização que tem em conta a complexidade das interacções biológicas, económicas e políticas e, sobretudo, reconhece as alterações progressivas de escala para a globalização dos problemas”, disse Soki Kuedikuenda.
Para ele, os esforços para conservar a biodiversidade enfrentam dois desafios principais, nomeadamente a necessidade de destinar mais áreas para a preservação da biodiversidade e as áreas destinadas para a conservação da biodiversidade precisam de ser adequadamente protegidas do conjunto das forças destrutivas.
O seminário, que tem o seu encerramento previsto para hoje, culminará com a realização de uma mesa redonda sobre “Financiamento dos parques nacionais”, que contará com a presença dos ministros do Ambiente, Agricultura, Planeamento, Finanças, Administração Pública, Emprego e Segurança Social, Assistência e Reinserção Social e Hotelaria e Turismo, Pescas e da Ciência e Tecnologia.
in Jornal de Angola